• Guilherme Bonini

Bruxa preta em re-tomada

Atualizado: 24 de fev.


Bem-vindo ao post do blog sobre os processos de criação de projetos idealizados pela Bonini Filmes com os quais o diretor Guilherme Bonini realizou.


Processos ao projeto de travessia cinematográfica de dança


“Bruxa preta em RE-TOMADA” é um experimento digital. Em cena: bruxas, curandeiras, guerreiras, feministas habitam o corpo negro feminino em uma jornada de transformações. Dançam em denúncia. É o levante de lutas por territórios e existências, na batalha pela re-tomada de suas próprias histórias. A dançarina Luzinete Silva atua em conexão com a terra, cavando a si mesma junto às raízes e rituais da ancestralidade afro-brasileira e indígena. No chão híbrido das telas cibernéticas, a mulher dança, e se faz dança em comunidade, em um plugar de memórias e trajetórias.



Idealização cinematográfica


A proposta deste projeto, desde seu início, retrata um conceito intitulado como Novo Naturalismo, cabe a valorização da luz natural. Esta definição surgiu em 2005 com a elaboração de um plano estrutural de cinematografia adotado entre o diretor Terrence Malick e diretor de fotografia Emmanuel “Chivo” Lubezki, ASC, AMC, para o filme The New World (O Novo mundo) em 2005. A técnica, aqui para o projeto, se estende numa redefinição da proposta estabelecida pelos diretores, pleiteando a narrativa do projeto na valorização da luz ao corpo em ação, na movimentação do mesmo entre os espaços que transcorre ao longo da obra.



O dogma do "Novo naturalismo"


- filmar exclusivamente com luz natural durante o dia e o crepúsculo.

- usar a iluminação existente em interiores, valorizando a noites e o escuro.

- favorecer a luz de fundo para criar continuidade entre as fotos de diferentes momentos e lugares.

- filmar com lentes prime ou fixas de grande angular, às vezes muito perto dos atores, para dar uma sensação de imersão.

- buscar resolução, evitando filtros, valorizando a profundidade de campo.

- movimentos das câmeras portáteis e Steadicam definindo o espaço em profundidade (no "eixo Z").

- um desejo constante de abraçar o acaso ... oportunamente de parar tudo para registrar fenômenos em interferência natural na cena.

- "Exceção", reconhecer que todos os bons dogmas são feitos para serem quebrados ocasionalmente.



Ação no set


A proposta se fez utilizar a luz natural disponível (gravado no período de junho 2021 / não se usou qualquer luz artificial (apenas rebatedores para close-ups) / buscou não subexpor a fotografia - mantendo os tons pretos puros / foi preservada a latitude na imagem / buscou resolução máxima no sensor e o mínimo de ruído na imagem / buscou profundidade com foco profundo: “Compondo em profundidade” / fotografou em contraluz em continuidade e profundidade / fotografou com luz cruzada somente após o amanhecer e antes do anoitecer; nunca em luz frontal / fotografou com lentes de curta distância focal / sem filtros, exceto polarizador natural/ fotografou com a câmera na mão estável e steadicam / o eixo Z moveu-se em vez de fazer panorâmicas ou inclinações (o quadro sempre em profundidade) / Sem zoom / utilizou tripé em planos estáticos.

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